Guia do spot · Costa Rica
Surfar Tamarindo: onde a Costa Rica aprende a surfar
A praia-escola da Costa Rica, tornada célebre por The Endless Summer II — crocodilos do estuário incluídos.
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Tamarindo, O spot-escola da Costa Rica
Se um lugar merece o título de praia-escola da Costa Rica, é Tamarindo. Este beach break de areia, com uma foz de rio, alinha ondas suaves e longas que quebram perto da margem: pouca remada, um take-off fácil, longos deslizes na espuma. É o recreio perfeito para a tua primeiríssima onda, e não é por acaso que as escolas são mais numerosas aqui do que noutros sítios.
A zona conta na verdade com uma dezena de spots ao alcance da vila, para todos os níveis. O pico principal, no centro, é todo suavidade. Na outra extremidade, a foz de El Estero atira esquerdas e direitas bem mais rápidas e técnicas, reservadas aos experientes, com direitas que rolam cinquenta metros e mais nos bons dias.
Tudo isto numa água a trinta graus, sem fato, com ondulação presente quase todo o ano. Tamarindo talvez não seja a onda mais selvagem do país, mas é sem dúvida a mais acolhedora para aprender e progredir sem stress.
A curiosidade que surpreende: a praia de Endless Summer II
Tamarindo deve boa parte da sua glória ao cinema. Em 1994, o filme The Endless Summer II de Bruce Brown, sequela do documentário de culto de 1966, planta as suas câmaras no norte de Guanacaste e segue os seus surfistas nas ondas do sítio. O filme dá a conhecer Tamarindo, Witch's Rock e Ollie's Point ao mundo inteiro, e desencadeia o boom que transformará a aldeia de pescadores na capital de surf e de festa do país.
Justamente, Tamarindo continua a ser a base dos míticos boat trips a Witch's Rock e Ollie's Point, duas direitas perfeitas encaixadas no parque nacional de Santa Rosa, a que se chega de barco num dia. Um capitão local escolhe o spot conforme as condições: é a excursão de surf por excelência do norte da Costa Rica.
E depois há os vizinhos de escamas. O estuário de Tamarindo e a Playa Grande ao lado albergam crocodilos americanos, e o parque nacional marinho Las Baulas protege ali a maior colónia de desova de tartarugas-de-couro do Pacífico americano. Entre estrelas do surf, crocodilos e tartarugas gigantes, ao lugar não faltam personagens.
A janela perfeita: ondulação, vento, maré e época
Tamarindo funciona com as ondulações de sudoeste a oés-sudoeste, com uma janela útil à volta de 3 a 6 pés. O vento de terra sopra de este de manhã, do nascer do sol até ao fim da manhã, antes de abrandar e virar onshore à tarde. A mensagem é a mesma que em toda a Costa Rica: as melhores sessões são as da manhã. Quanto à maré, a meia a alta oferece as condições mais suaves para aprender, enquanto a foz prefere a maré a subir.
Para o tamanho, a época verde (maio a novembro) reina: as ondulações de sudoeste do hemisfério sul são as maiores e mais consistentes, e julho-agosto podem duplicar a altura em alguns picos. A chuva concentra-se à tarde, deixando manhãs soalheiras e offshore. A cereja no topo: é também quando as noites são mais baratas, quando dezembro mostra tarifas até três vezes superiores.
A época seca (dezembro a abril) dá ondas mais pequenas, mas é a dos ventos Papagayo, offshores potentes que sopram todo o dia e alisam a superfície: daí a reputação de janeiro como o mês das ondas mais limpas. Duas épocas, duas lógicas: o tamanho no verão, a regularidade alisada no inverno.
Nível, segurança e os crocodilos do estuário
O grande trunfo de segurança de Tamarindo é o seu fundo de areia e as suas ondas que quebram perto da margem: um cenário ideal para aprender. Mas há um perigo que é preciso nomear com clareza, sem o dramatizar: os crocodilos. O estuário de Tamarindo e o de Playa Grande albergam crocodilos americanos, e o Ministério do Ambiente desaconselha surfar mesmo junto às fozes.
O ponto crucial, muitas vezes mal compreendido: o verdadeiro risco não é o beach break, é atravessar o estuário a nado ou a pé. Em 2016, um surfista perdeu uma perna ao atravessar o estuário de Playa Grande a pé no regresso de uma sessão. A regra que salva é simples: nunca atravesses o estuário a nado, apanha um water-taxi por uns dólares, e nunca alimentes nem te aproximes de um crocodilo (é ilegal e atrai-os para o mar).
Para o resto, bom senso: correntes perto da foz, trânsito de barcos de tours, um sol que bate e uma multidão densa no pico principal. Fica nos picos centrais, vigia os barcos e hidrata-te. O beach break de Tamarindo é suave; são os seus arredores que é preciso respeitar.
Tamagringo: conforto, multidão e road trip
Tamarindo é a vila de surf mais equipada da Costa Rica, e nota-se. Escolas em cada esquina, aluguer de pranchas, lojas, restaurantes do mundo inteiro, vida noturna animada: é carinhosamente apelidada de « Tamagringo » de tão internacional que se tornou. Para uma primeira viagem de surf, é confortável: está tudo ali, a um passo, e o ambiente é acolhedor e pouco intimidante.
Esse conforto tem um reverso: a multidão. O pico principal pode estar à cunha, sobretudo durante as férias de dezembro e março. A boa notícia é que a areia dispersa a gente e o localismo agressivo não é a cultura do lugar. Saindo cedo e empurrando um pouco para norte ou para sul, recuperas espaço.
Desde Tamarindo, estás também idealmente situado para circular: Playa Grande e as suas tartarugas-de-couro mesmo a norte, Playa Negra mais a sul, e claro os boat trips a Witch's Rock. É uma base perfeita para um road trip de surf em Guanacaste, a região mais soalheira do país.
Acesso: Liberia a uma hora, tudo no local
Boa notícia, Tamarindo é um dos spots mais fáceis de aceder da Costa Rica. O aeroporto internacional de Liberia (LIR) está apenas a uma hora a uma hora e um quarto de estrada, com voos diretos dos Estados Unidos: foi aliás a abertura dessas ligações no início dos anos 2000 que fez descolar a estância. Um transfer privado custa uns cinquenta dólares por pessoa.
No local, não precisas de prever nada: as escolas oferecem aulas (à volta de 45 a 100 dólares) e aluguer de pranchas ao dia (a partir de uns dez dólares). Os boat trips a Witch's Rock e Ollie's Point reservam-se facilmente, em lugar partilhado a partir de 150 dólares ou em barco privado para um grupo.
Quanto ao orçamento, Tamarindo é mais acessível do que Nosara ou Santa Teresa, com uma vantagem real: é em julho-agosto, em plena época das boas ondas, que as noites são mais baratas. Boas ondas, preços baixos, acesso fácil: difícil fazer mais simples para uma primeira viagem de surf na América Central.
Perguntas frequentes
Tamarindo é um bom spot para começar a surfar?+
Sim, é provavelmente o melhor spot de aprendizagem da Costa Rica. O fundo é de areia, as ondas são suaves e quebram perto da margem, e há inúmeras escolas. A foz de El Estero, mais rápida, está reservada aos experientes. Para começar, fica no pico principal do centro, idealmente de manhã e na meia-maré.
Há mesmo crocodilos em Tamarindo?+
Sim, o estuário de Tamarindo e o de Playa Grande albergam crocodilos americanos. Mas o risco diz respeito à travessia do estuário a nado ou a pé, não ao beach break em si. A regra: nunca atravesses o estuário a nado (apanha um water-taxi), fica nos picos centrais, e nunca te aproximes nem alimentes um crocodilo.
Qual é a melhor época para surfar em Tamarindo?+
Para o tamanho, a época verde (maio a novembro): as ondulações de sudoeste são as maiores, e julho-agosto são excelentes, com manhãs offshore e chuva à tarde. Bónus, são as noites mais baratas. A época seca (dezembro a abril) dá ondas mais pequenas, mas ventos Papagayo que alisam a superfície todo o dia.
O que são os boat trips a Witch's Rock e Ollie's Point?+
São duas direitas perfeitas do parque nacional de Santa Rosa, a norte, a que se chega de barco num dia desde Tamarindo. Tornadas célebres por The Endless Summer II, oferecem ondas mais longas e menos frequentadas. Conta a partir de 150 dólares por pessoa em lugar partilhado, com um capitão a escolher o spot conforme as condições.
Como chegar a Tamarindo?+
É um dos spots mais acessíveis do país: o aeroporto internacional de Liberia (LIR) está a cerca de uma hora a uma hora e um quarto de estrada, com voos diretos dos Estados Unidos. Um transfer privado custa uns cinquenta dólares por pessoa. A vila está muito equipada, sem necessidade de carro para surfar no local.
Tamarindo é demasiado turístico?+
Tamarindo está muito desenvolvida e internacionalizada, apelidada de « Tamagringo »: vida noturna, restaurantes do mundo inteiro, escolas aos montes. É confortável para uma primeira viagem de surf, mas o pico principal pode estar à cunha, sobretudo em dezembro e março. Sai cedo e empurra um pouco para norte ou para sul para recuperar espaço e ondas mais tranquilas.
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