yosurf
Vue aérienne du lagon de Lord Howe Island : plage de sable blanc, eau turquoise, l'îlot de Blackburn au centre et les monts Lidgbird et Gower en arrière-plan, avec la houle qui casse sur la barrière de corail au large

Guia do spot · Lord Howe Island

Surfar Lord Howe Island: dez ondas, 400 visitantes

Unsplash · Dylan Shaw

Dez quilómetros de rocha, dez ondas, quatrocentos visitantes no máximo — e uma prancha que viaja como carga.

Reef tropicalAcesso de barcoOndulação australIlha isoladaPatrimónio Mundial
Época
todo o ano: aqui mandam o vento e a maré, não o calendário
Ondulação
S a NO para as passagens oeste, NE a SE para a costa este
Vento
dominantes de SE e NE, mais fortes no fim do inverno e na primavera austral
Maré
de meia a cheia na maioria dos recifes
Lotação
quase inexistente — «mais do que um punhado já é multidão»
Região
Lord Howe Island · Lord Howe Island

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Dez ondas para quatrocentas pessoas

Lord Howe é um crescente vulcânico com cerca de dez quilómetros de comprimento, largado no mar da Tasmânia a 600 km de Port Macquarie. É Património Mundial da UNESCO desde 1982 e aplica uma regra que poucos sítios no mundo ousam impor: nunca mais de 400 visitantes ao mesmo tempo. Faz as contas com as dez ondas surfadas com regularidade na ilha e tens a melhor proporção surfistas/picos de todo o Pacífico Sul.

O resto segue a mesma lógica de fim do mundo. Não há cobertura móvel na ilha. Anda-se de bicicleta, capacete obrigatório, com um limite de 25 km/h que também se aplica aos ciclistas. Acampar é proibido. Dois cumes fecham o horizonte sul, o monte Gower com 875 m e o monte Lidgbird com 777 m, e a uns vinte quilómetros para sudeste ergue-se Ball's Pyramid, uma agulha vulcânica de 551 m plantada sozinha no oceano.

E depois há a história que ninguém conta. Em 1990, Lance Knight era o comandante do Sitka, o navio que abastecia a ilha. Os ilhéus queriam um navio próprio; Lance partiu à volta do mundo para encontrar um. Foi durante essa viagem, no Sudeste Asiático, que fez uma das descobertas de surf mais célebres de sempre, numa ilha das Mentawai: a direita que hoje tem o seu nome, Lance's Right. Regressou com um navio para a ilha. O comandante do abastecedor de um rochedo de 400 habitantes deu o nome próprio a um dos recifes mais famosos do planeta.

O oeste: a lagoa, a barreira, as passagens

A face oeste está protegida por uma barreira de coral — o recife coralino mais austral do planeta, algo que a UNESCO destaca explicitamente — que encerra uma lagoa de areia branca. Essa barreira é cortada por várias passagens, e é nelas que rebentam as verdadeiras ondas da ilha. Todas se abrem a um leque de ondulação que vai do sul ao noroeste.

De norte para sul: La Meurthe, uma esquerda longa, rápida e cavada na North Passage, baptizada a partir de um navio encalhado mesmo ao lado — chega-se lá a remar desde Dawson's Point ou Old Settlement Beach. Depois Uli's, esquerdas e direitas junto a Blackburn Island (toda a gente lhe chama Rabbit Island), muito consistente graças a uma janela de ondulação larga: idealmente de barco, senão uma remada longa desde Far Rocks, sabendo que não há canal e que fugir às séries é uma arte. A seguir Sunset's, o único spot de ondas grandes a sério da ilha, que acende com uma ondulação de noroeste séria e aguenta até 15 pés — 5 metros — por Erscott's Passage: uma direita desorganizada e instável descrita sem rodeios como só para experientes ou locais.

Mais a sul, a South Passage guarda as duas ondas mais sérias. Harry's é a mais pesada da ilha, acessível apenas de barco: uma direita extremamente cavada e muito rápida que contorna o canto do recife sobre coral pouco profundo, onde ficar apanhado por dentro é uma péssima experiência. Do outro lado da passagem, Grinders exige trinta minutos de remada desde Salmon Beach e retribui com esquerdas longas, secções cavadas e tubos possíveis — com um canal que fica muito correntoso conforme a maré, daí o interesse de ter um barco por perto. Restam duas opções mais suaves: Little Island, uma direita curta mas sólida abrigada do vento pelas falésias quando tudo o resto está desfeito, e Little Reef, o recife interior, mais macio, com esquerdas descritas como abertas a todos os níveis — desde que haja ondulação suficiente lá fora para o recife interior chegar a rebentar.

O este: Blinky, Middle Beach e a ponta de Ned's

A costa este recebe ondulações menos fiáveis e menos organizadas do que o oeste, mas guarda o único beach break da ilha e salva os dias em que a barreira não apanha nada. A sua janela é o espelho exacto da do oeste: de nordeste a sudeste.

Blinky Beach, a dois passos da pista de aterragem, é esse beach break — e a alcunha local diz tudo: «Champagne Surf». Bancos móveis, algumas pedras a localizar antes, melhor com ondulação de este e vento de oeste, e uma direita interessante no extremo sul. Um pouco mais adiante, Middle Beach Ledge é uma direita de plataforma coralina que se lê em duas versões: abaixo de 3 pés rebenta sobre a plataforma interior, acima disso ganha qualidade com bowls rápidos e pesados a desenrolar sobre o recife exterior. O guia local resume o seu público numa frase honesta: intermédios quando está pequeno, experientes quando cresce.

Ned's Beach, por fim, reúne vários picos. O melhor é a esquerda de ponta do extremo norte, a que todos chamam Mexico; ao lado fica Surfers Hole, um pico rochoso caprichoso que exige uma ondulação de este sólida. O conjunto continua irregular, e por uma razão geográfica precisa: as Admiralty Islands, esse rosário de sete ilhéus a norte, bloqueiam parte da ondulação antes de ela chegar.

O que decide mesmo uma sessão aqui

Não procures a boa época: quase não existe. Boa parte do litoral está exposta a um fetch ilimitado, o que dá ondas bastante consistentes o ano inteiro, alimentadas tanto pelo oceano Antárctico como pelo Pacífico. O que limita são o vento e a maré — é o que dizem os próprios operadores da ilha, e ler os picos um a um confirma-o.

O vento dominante vem de sudeste e de nordeste, e sopra mais forte no fim do inverno e na primavera austral. Essa rosa comanda o teu programa: um vento de este limpa as passagens do oeste, um vento de oeste limpa Blinky e Ned's a este. Como as duas faces quase nunca funcionam no mesmo dia, o método é simples: vê de onde vem o vento e escolhe o lado. Quanto à maré, a maioria dos recifes pede de meia a cheia; Blinky, Little Reef, Grinders, Little Island e Ned's aceitam todas.

A água, essa, é francamente confortável. As médias oficiais vão de 26 °C em fevereiro e março até 18,5 °C de julho a setembro. Em claro: um top de neoprene ou um shorty chegam no verão austral, e um 3/2 torna agosto agradável. O ar acompanha, com máximas à volta de 25 °C no verão e 19 °C no inverno.

O coral, os ouriços e a verdade sobre os tubarões

Comecemos pelo que toda a gente pergunta. Não há cobras nem animais venenosos na ilha, e não há tubarões perigosos de dia ao longo das praias; já foram avistados tubarões-tigre do lado das falésias. Sobretudo: não há registo de qualquer ataque a um surfista aqui. Existe um médico e um pequeno hospital na ilha.

O perigo verdadeiro é mais prosaico, e o guia local ordena-o bem: as correntes e os ouriços têm muito mais hipóteses de te apanhar do que os tubarões. O coral é vivo e pouco profundo na maioria das passagens. Os ouriços estão por todo o lado. Os canais começam a puxar com a maré — está explicitamente documentado em Grinders — e Uli's simplesmente não tem canal, o que transforma cada série num exercício de fuga.

Acrescenta a limitação de ilha isolada: vários picos só se alcançam de barco ou com uma remada até um quilómetro, e a maioria sai de bote ou de caiaque. Não haverá multidão para te ir buscar — é todo o encanto do lugar, e é também a sua contrapartida. As motas de água estão proibidas em todo o parque marinho; o surf, esse, é explicitamente permitido, com as zonas santuário a restringir apenas a pesca e a apanha.

Como lá chegar — e o verdadeiro problema é a prancha

O acesso mudou há pouco e muitos guias estão desactualizados nisto: a Qantas fez a sua última aterragem na ilha a 25 de maio de 2025, e desde fevereiro de 2026 é a Skytrans que opera sozinha a ligação, em codeshare com a Qantas. De Sydney o voo demora menos de duas horas. A Eastern Air Services completa o ano inteiro a partir de Port Macquarie (1 h 15), Newcastle e Gold Coast (1 h 30 cada).

Agora a má notícia, e é a única coisa realmente complicada desta viagem: a franquia é de 14 kg no porão e 7 kg na cabina, e as pranchas são tratadas como excesso, embarcadas conforme o espaço disponível. Um dos alojamentos históricos da ilha di-lo aos clientes sem rodeios: traz as tuas pranchas, serão marcadas como «excess» no aeroporto e podem não viajar contigo. A isso junta-se a regra de dimensões da Skytrans — a bagagem de porão não pode exceder 140 cm somando comprimento, largura e altura, e acima disso tem de seguir como carga. Nenhum saco de pranchas fica abaixo dessa barreira. Os equipamentos desportivos adicionais custam 70 dólares australianos por peça.

Tradução prática: viaja com uma prancha de que possas prescindir vinte e quatro horas, liga à Skytrans antes de reservar para confirmarem o transporte, e não contes resolver no local. Não há registo de qualquer escola de surf na ilha, e a única menção a aluguer de pranchas vem de uma fonte antiga que o directório oficial de comércio não confirma — descreve esse mesmo negócio como uma loja de roupa. Acampar é proibido: dezassete alojamentos repartem a ilha, de quatro a oitenta e cinco camas cada.

Perguntas frequentes

Pode levar-se a prancha para Lord Howe Island?+

Sim, mas sem garantia de que chegue ao mesmo tempo que tu. A franquia é de 14 kg no porão e 7 kg na cabina; as pranchas contam como excesso e viajam conforme o espaço disponível. A regra de dimensões da Skytrans (140 cm somados no porão) coloca de facto qualquer saco em regime de carga, e os equipamentos desportivos adicionais custam 70 AUD por peça. Liga à companhia antes de reservar e viaja com uma prancha de que te possas separar um dia ou dois.

Qual é a melhor altura para lá surfar?+

Não há verdadeiramente época: o litoral está exposto a um fetch ilimitado e apanha ondulação com bastante regularidade o ano inteiro, tanto do oceano Antárctico como do Pacífico. O que limita são o vento e a maré. Se escolheres pelo conforto, a água chega aos 26 °C em fevereiro e março e desce aos 18,5 °C de julho a setembro — que é também o período mais ventoso do ano.

Que pico escolher sendo intermédio?+

Blinky Beach, o único beach break da ilha, é a aposta mais segura: bancos móveis, mas sem recife vivo debaixo dos pés. Little Reef, o recife interior da face oeste, é explicitamente descrito como aberto a todos os níveis, desde que haja ondulação suficiente lá fora. Middle Beach Ledge serve intermédios quando está pequeno, mas torna-se uma onda de experientes acima de 3 pés. Harry's, Sunset's e Grinders não são ondas de aprendizagem.

Há escolas de surf ou aluguer de pranchas na ilha?+

Não aparece qualquer escola de surf nas fontes oficiais da ilha. Sobre aluguer de pranchas a informação é contraditória: um guia de surf menciona uma loja que alugaria pranchas ao dia, enquanto o directório oficial de comércio descreve esse mesmo estabelecimento como uma loja de roupa. Parte do princípio de que tens de levar o teu material. Já os paddles alugam-se junto dos operadores de Lagoon Beach, e máscaras e barbatanas em Ned's Beach através de uma caixa de confiança.

É preciso fato de neoprene?+

No verão austral, não: a água sobe aos 26 °C em fevereiro e março, e um top de neoprene ou um shorty chegam ao nascer do dia. No inverno austral desce aos 18,5 °C de julho a setembro — um 3/2 inteiro torna essas sessões confortáveis, sobretudo por ser a época mais ventosa do ano.

É perigoso surfar em Lord Howe?+

Os riscos reais são o coral vivo e pouco profundo, os ouriços e as correntes nas passagens — um guia local resume que têm muito mais hipóteses de te apanhar do que os tubarões. Quanto a tubarões: não há registo de ataque a um surfista, e não há tubarões perigosos de dia junto às praias, ainda que se avistem tubarões-tigre do lado das falésias. Há um médico e um pequeno hospital na ilha. A verdadeira prudência está no acesso: vários picos exigem barco ou até um quilómetro de remada, sem ninguém por perto para te ir buscar.

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